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sábado, setembro 25

Relato de um Velame Azul


A viagem foi extremamente desgastante. Saímos por volta das 5 da manhã. Frio natural de São João Del Rei.
A Van era desconfortável e a estrada cheia de curvas. Resende parecia cada vez mais longe...
A aflição me consumia, afinal saltar de um avião a 5000 pés de altura não é uma tarefa considerada comum, e ainda, a primeira vez, o coração sempre bate mais forte.
Chegamos por volta das 10:30, o local chamava-se SKYDIVE RESENDE.
O clima do local era fantástico, uma correria louca por todos os lados, pára-quedistas "batendo" no chão a todo o momento e ainda assistimos a uma apresentação impecável da Brigada Pára-Quedista.
O meu salto foi marcado para as 16:30, a décima primeira decolagem do dia. Muito tempo ainda para pensar e repensar sobre lançar-se no espaço vazio.
Assim que a décima decolagem partiu para os céus, recebi um macacão amarelo. Enquanto me trocava, Lamounier vestia o seu macacão azul, Aguiar se embolava com a calça e Gilmar já aguardava pronto para o embarque.
No pequeno caminho do Hangar até o minúsculo avião amarelo (CESSNA), comecei a sentir um sentimento diferente, certo medo misturado com vontade de vencer. Ajeitamos-nos ali dentro do avião, de forma quase empilhada. O Guto, nosso instrutor, passou-nos os últimos ajustes.
A batida do meu coração equiparava-se ao motor de 9 cilindros que girava um conjunto de 3 pás de hélices do pequeno CESSNA. E eu percebi que não poderia mais desistir assim que o avião tomou força para a decolagem.
O mundo afastava-se rapidamente das minhas vistas. Meus olhos pregados na janelinha do avião vislumbravam um caudaloso rio que corta a cidade de Resende. Lá do alto, meu medo aumentava à medida que o ponteiro do altímetro chegava mais perto dos 5000 pés.
O primeiro a saltar era o Gilmar, ele estava calmo, concentrado. O avião finalmente fez a curva para poder passar no ponto de lançamento. Nesse momento parecia que meus órgãos grudavam-se uns aos outros, ao mesmo tempo em que minha barriga gelava. O Gilmar se posicionou na porta, foi para fora, aguardou o OK e foi. Escutei um barulho de lataria, algo batendo fortemente. Assustei. Mas era apenas a fita que enganchara o Gilmar.
O próximo era o Lamounier, novamente o piloto contornou o traçado com destino ao ponto de lançamento. Lamounier agarrou-se no montante, olhou para o Guto, recebeu o OK, mas não foi... Algo o incomodava bastante, e aquela cena mexeu com o meu psicológico. O Guto já tinha "falado uns cinco OKs" e o Lamounier ainda com aquela cara de pânico, não soltava de jeito nenhum o montante. O jeito era puxar ele para dentro. Assim, com certa dificuldade, Guto e o Aguiar o puxaram para dentro. O seu rosto estava pálido, seus lábios tremiam...
- Tem condições ainda de saltar? Perguntou Guto.
- Sim, senti falta de ar!
E ele foi novamente ao montante, dessa vez não hesitou! Quando menos percebi, a sua fita já batera na lataria do avião.
Minha vez! Um calafrio colossal percorreu minha espinha.
Desloquei-me para a porta do avião, pus as mãos no montante e deixei meu corpo ser carregado pelo vento. Ainda não sei como cheguei até aquele estágio. Olhei para o Guto, o vento batia tão forte em meu rosto que minhas bochechas desfiguravam-se.
- OK ! O último sinal visto!
Despreguei minhas mãos do montante. O som do avião sumiu em questão de milésimos de segundos. Em 4 segundos de queda livre, senti a maior sensação de liberdade que tive em toda a minha vida. Fui literalmente cuspido ao vento e engolido pela imensidão dos céus. Ao final dos 4 segundos, um arranque! Minhas pernas foram jogadas para frente como um boneco de fantoche. Senti medo! Olhei para o alto e vi um lindo velame azul escuro aberto! Meu medo foi substituído por um alívio imenso, agradeci a Deus diversas vezes por tudo ter saído sem problemas. Comecei a gritar insanamente quando vi o caudaloso rio, ser iluminado pelos raios de Sol que atravessavam a serra de Itatiaia.
Meu Deus, que coisa maravilhosa! Como o mundo é lindo! Meus pés pareciam imensos, comparado com as casinhas pequeninas que conseguia ver lá embaixo. Voei por 10 minutos, aproveitando o máximo de liberdade que uma pessoa pode ter. Senti-me como um pássaro que escapa de uma gaiola, deixando para trás toda aquela vida presa, sombria e taxada por regras.
Finalmente encostei meus pés no chão, e agradeci a Deus mais uma vez por tudo ocorrer bem. Ali embaixo, já encontrava o Lamounier que me recepcionou com um sorriso de superação. Fiquei satisfeito de poder sentir aquela emoção, e poder compartilhá-la com meus amigos.
O dia finalizou com o pouso do Colini. Zero problemas. Tudo em seu perfeito estado.
Voltamos para o Hangar com o pensamento nos próximos saltos. E a partir desse dia me consagrei pára-quedista, e confirmei mais uma vez que um dos melhores sentimentos do mundo é o alívio de ter vencido o MEDO!
Medo que tive também, após lembrar que tínhamos que voltar de Van!

2 comentários:

Ânderson disse...

Nossa isso devi que foi muito bom ^^
um dia ainda vou ter essa oportunidade :)

Anônimo disse...

Ainda chego lá! ADRENALINA!!! TURBULÊNCIA já parece montanha-russa!!!
hauhauahuahauhua