Era tarde de domingo, o sol colocava-se atrás de um prédio branco, de sacadas rosadas. Na beira do prédio, pombas catavam piolhos umas das outras em uma dança lateral realmente cômica. Os pássaros voavam por entre os pingos de água que a fonte central da praça jorrava com imensa alegria.
O vento saculejava as copas das árvores, fazendo-as derramar flores sobre a calçada esburacada. Pessoas corriam por todos os lados, em um ritmo agradável, escutando com certeza uma boa música em seus fones de ouvido. Pedalinhos circulavam no lago, desviando dos cisnes que exibiam as suas penugens exuberantes.
Eu, sentado ali naquele banco de madeiras atravessadas, observava a todos os movimentos. Tentava tirar uma fotografia mental de cada situação que ocorria. Todos pareciam muito felizes. Não havia barulho, não havia angústia. Carros não passavam por ali, apenas pássaros e maritacas cortavam o ar, as árvores eram tão verdes que o lago refletia a própria natureza.
Não conhecia ninguém, não conhecia o local. Uma senhora aproximou-se e disse bom dia. Eu, meio sem graça, sorrindo com os cantos dos lábios respondi também um bom dia por entre os dentes. A senhora trajava um vestido pérola, todo franzido de rendas e carregava em sua mão direita uma sombrinha que combinava com a cor do vestido. Ela virou-se de costas e foi em direção ao lago, afagou o cabelo de um menininho que pedalava o seu velotrol por ali, e sumiu por entre os arbustos que circundavam o lago.
Estiquei um pouco a cabeça pra tentar acompanhá-la, mas realmente ela se foi. Percebi que não conseguia sair do banco, o corpo parecia preso, senti tristeza em não poder usufruir daquele lugar majestoso.
De repente uma luz acima da minha cabeça acendeu. Já era noite. O poste iluminava o banco, que agora era de cimento. Olhei para frente e me deparei com um trailler, um homem sem camisa, todo suado, fritava hambúrgueres de maneira grotesca. Um carro passou sobre uma lombada em alta velocidade, raspando o peito de aço. Um trator, logo a minha direita, destruia uma casa, jogando escombros para cima e gerando uma nuvem de fumaça imensa.
Cadê a praça que estava aqui ? Todos sumiram!
Tentei me levantar, meu corpo ainda preso no banco, a nuvem de fumaça chegava cada vez mais perto. Uma aflição tomou conta de mim, meu coração batia rapidamente, soltei um grito ! Ahhhhhhhh
Meus olhos abriram e enxerguei o meu rádio relógio em cima do criado-mudo. Eram 3:22 da madrugada.
O vento saculejava as copas das árvores, fazendo-as derramar flores sobre a calçada esburacada. Pessoas corriam por todos os lados, em um ritmo agradável, escutando com certeza uma boa música em seus fones de ouvido. Pedalinhos circulavam no lago, desviando dos cisnes que exibiam as suas penugens exuberantes.
Eu, sentado ali naquele banco de madeiras atravessadas, observava a todos os movimentos. Tentava tirar uma fotografia mental de cada situação que ocorria. Todos pareciam muito felizes. Não havia barulho, não havia angústia. Carros não passavam por ali, apenas pássaros e maritacas cortavam o ar, as árvores eram tão verdes que o lago refletia a própria natureza.
Não conhecia ninguém, não conhecia o local. Uma senhora aproximou-se e disse bom dia. Eu, meio sem graça, sorrindo com os cantos dos lábios respondi também um bom dia por entre os dentes. A senhora trajava um vestido pérola, todo franzido de rendas e carregava em sua mão direita uma sombrinha que combinava com a cor do vestido. Ela virou-se de costas e foi em direção ao lago, afagou o cabelo de um menininho que pedalava o seu velotrol por ali, e sumiu por entre os arbustos que circundavam o lago.
Estiquei um pouco a cabeça pra tentar acompanhá-la, mas realmente ela se foi. Percebi que não conseguia sair do banco, o corpo parecia preso, senti tristeza em não poder usufruir daquele lugar majestoso.
De repente uma luz acima da minha cabeça acendeu. Já era noite. O poste iluminava o banco, que agora era de cimento. Olhei para frente e me deparei com um trailler, um homem sem camisa, todo suado, fritava hambúrgueres de maneira grotesca. Um carro passou sobre uma lombada em alta velocidade, raspando o peito de aço. Um trator, logo a minha direita, destruia uma casa, jogando escombros para cima e gerando uma nuvem de fumaça imensa.
Cadê a praça que estava aqui ? Todos sumiram!
Tentei me levantar, meu corpo ainda preso no banco, a nuvem de fumaça chegava cada vez mais perto. Uma aflição tomou conta de mim, meu coração batia rapidamente, soltei um grito ! Ahhhhhhhh
Meus olhos abriram e enxerguei o meu rádio relógio em cima do criado-mudo. Eram 3:22 da madrugada.

Um comentário:
Peeeeeeerfeitoo !! '
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